Como se trata uma hérnia discal?

a fazer o pino

Como se trata uma hérnia discal?

Não existe um tratamento tipo para hérnia discal. Felizmente existem várias opções para abordar esta condição. Todas elas pressupõem que o tratamento conservador – entendendo por tratamento conservador os medicamentos, a fisioterapia, a acupuntura, a osteopatia – não obteve o resultado desejado ou que a clínica do doente é demasiado grave para impedir que se tente esta abordagem por que uma alternativa mais “agressiva” se impõe.

Existe uma grande diversidade de técnicas disponíveis para abordar a doença discal degenerativa e a hérnia discal. Desde as menos invasivas, percutâneas, que se realizam quase todas com anestesia local e sem aberturas na pele, e que incluem a ozonoterapia, a radiofrequência intradiscal, a nucleolise percutânea, a colocação de próteses de núcleo; passando pelas cirurgias minimamente invasivas como a microdiscectomia endoscópica ou microscópica, realizadas através de pequenas incisões mas já realizadas sob anestesia geral; e, finalmente as cirurgias de artrodeses segmentares, podendo estas ser realizadas de forma minimamente invasiva ou através de cirurgia clássica.

Não existe uma hérnia igual a outra como não existe um doente igual a outro.

A selecção da opção mais adequada é fundamental para se obter um bom resultado.

Do meu ponto de vista, o cirurgião deve dominar todas as técnicas para poder propor a mais indicada. Esta decisão não deve depender dos hábitos ou preferências do cirurgião. Da mesma forma, entendo que nenhuma intervenção na coluna deve ser realizada por alguém que não possua a capacidade técnica suficiente para resolver as potenciais complicações decorrentes da sua intervenção. Noto com preocupação o aumento de profissionais de saúde não cirurgiões a propor intervenções na coluna e registo ainda com mais constrangimento o crescente número de doentes com complicações decorrentes das mesmas.

Mas, voltando à decisão terapêutica, devo sublinhar que a mesma depende de inúmeros factores.

Factores como a idade, a existência de patologias concomitantes que limitem o leque de opções, o peso/ índice da massa corporal, a profissão, os hábitos desportivos, o perfil psicológico são determinantes na escolha do cirurgião. As características intrínsecas da própria hérnia, a sua dimensão, a sua exacta localização, o facto de apresentar ou não fragmentos herniários migrados, são também condicionantes da decisão.

Por isso a sua hérnia discal pode não poder ser tratada como a do seu “vizinho”. Cada caso é um caso. Muitas vezes ouço os pacientes dizer : ” disseram que a minha hérnia não dava para tirar pois está muito perto da medula”. Isso não corresponde à verdade.

Existe sempre uma opção. Mas nem sempre tomar uma atitude é necessário porque por vezes as hérnias são pequenas ou não têm correlação com as queixas do paciente. E, nesses casos sim, devemos ter uma atitude mais contemplativa do que interventiva e apreciar a evolução do quadro clínico.

Acima de tudo, nunca propor nada sem estar seguro de que podemos melhorar a qualidade de vida do doente.

Operar é fácil. Difícil é operar bem e obter bons resultados.

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